Pular para o conteúdo principal

Armas e alvos da nova ofensiva da burguesia

Número: 
297
2009
Out
As conquistas da Jornada Nacional de Lutas do Movimento foi o que bastou para que os setores mais conservadores do Congresso e da sociedade começassem a orquestrar uma nova ofensiva contra o MST. A mídia burguesa e setores do Congresso criam um falso escândalo com notícias antigas para justificar uma CPI que só servirá de palco para defender os seus interesses políticos. Os verdadeiros interesses são barrar a Reforma Agrária, impedir a organização dos trabalhadores e justificar a criminalização dos movimentos sociais. Liderados pela senadora Kátia Abreu (DEM/TO) e os deputados federais Ronaldo Caiado (DEM/GO) e Onyx Lorenzoni (DEM/RS), os parlamentares ruralistas tentaram criar mais uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST – seria a terceira em menos de 5 anos. O pedido para perseguir o nosso Movimento tem como base reportagens publicadas em jornais e revistas da imprensa burguesa, que apenas requentam denúncias da CPI da Terra (2003-2005). É exatamente uma represália à nossa ousadia de solicitar a atualização dos índices de produtividade agrícola, que poderá beneficiar os proprietários rurais que realmente produzem em nosso país.
REI DE ESPADAS
Agronegócio

O agronegócio, formado na aliança das empresas transnacionais, do capital financeiro e dos fazendeiros capitalistas, está por trás da ofensiva. Pretende acabar com o nosso Movimento para garantir a expansão da monocultura (soja, cana, eucalipto, pecuária e sementes transgênicas), aprovar projetos como a flexibilização do Código Florestal e ter o monopólio
sobre os investimentos públicos na agricultura.
O que esconde – O agronegócio é sustentado por volumosos recursos do governo federal. Os latifundiários acessam 34,6% do crédito, mas respondem por apenas 13,6% da produção agropecuária. Inversamente, os pequenos agricultores acessam 13,4% do crédito e são responsáveis por 56,8% da produção. Desde o início da crise, o complexo do agronegócio fechou 268 mil postos de trabalho, ou seja, é responsável por 35% das demissões. Mesmo assim, o governo federal destinou R$ 65 bilhões para o agronegócio na safra 2008/09. Além do calote de R$87 bilhões nas dívidas agrícolas que se arrastam desde a década de 90.
DAMA DE PAUS
Kátia Abreu e a bancada ruralista

A senadora Kátia Abreu (DEM/TO), líder da bancada ruralista no Congresso e presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), quer inviabilizar a atualização dos índices de produtividade, protegendo os latifundiários que não estão dentro da média de produtividade. Pretende fazer uma luta ideológica contra a Reforma Agrária, na defesa de um modelo agrícola baseado em grandes propriedades.
O que esconde – Kátia Abreu é suspeita de desviar recursos da Confederação Nacional da Agricultura, da qual é presidente, para sua campanha ao Senado. A CNA teria pago R$650 mil para a agência de publicidade que fez a campanha eleitoral da senadora, mas nem as despesas com publicidade, nem a doação da CNA aparecem na prestação de
contas à Justiça Eleitoral.
CORINGA
Governo Federal

Apesar do compromisso histórico do presidente Lula e do PT com a Reforma Agrária, o governo federal está comprometido com os interesses do agronegócio e depende dos votos da bancada ruralista para aprovar seus projetos no Congresso Nacional.
O que esconde – A pauta de reivindicações do MST ao governo federal já é histórica e é composta por uma série de promessas não cumpridas, como atualização dos índices de produtividade, previstos desde 2005 e o assentamento das famílias acampadas em Felisburgo, que esperaram mais de 5 anos desde o massacre no local para serem assentadas. O II Plano Nacional de Reforma Agrária tinha a previsão de assentar 550 mil famílias entre 2003 e 2007. No entanto, segundo a Unesp (Universidade do Estado
de São Paulo), apenas 163 mil famílias desta meta foram assentadas, ou seja, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) cumpriu apenas 29,6% da meta.
ÁS DE OUROS
Mídia burguesa

Os canais de televisão, jornais, revistas e páginas na internet da mídia burguesa, que formam um oligopólio familiar aliado ao capital financeiro, tentam construir a imagem positiva do
agronegócio e colocar o MST como setor “atrasado” e “criminoso”.
O que esconde – Como forças da classe dominante, têm uma identificação de classe com os latifundiários, sustentando o oligopólio da terra como defendem o da comunicação. Há grupos de comunicação que são grandes proprietários de terras, como a família Saad, da TV Bandeirantes, que possui 16 fazendas no interior de São Paulo. A defesa dos meios de
comunicação não é apenas ideológica, mas em interesse próprio.
Alvos da ofensiva
REVISÃO DOS ÍNDICES DE PRODUTIVIDADE – Inviabilizar o cumprimento da Constituição Federal com a atualização dos índices de produtividade, defasados desde 1975, que foi anunciada pelo governo com a pressão da jornada de lutas.
REFORMA AGRÁRIA – Impedir qualquer avanço na democratização das terras e investimentos públicos do governo nos assentamentos para viabilizar a construção de casas,
estradas, infra-estrutura, assistência técnica e agroindústrias.
MST – Destruir o Movimento, desgastar a legitimidade da luta dos trabalhadores rurais e excluir do debate político nacional a bandeira da Reforma Agrária no país.
LUTAS SOCIAIS – Satanizar a organização dos trabalhadores e as lutas sociais em defesa de direitos, depois do exemplo pedagógico dos protestos e conquistas da jornada.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Médica acreana presa em Pernambuco A médica acreana Alessandra Bréa Moreno Dantas foi presa pela Polícia Federal na sexta-feira (1), em Caetés (PE). Após concluir o curso de medicina em Pinar del Rio, com bolsa do governo de Cuba, voltou ao Acre, onde em diversas ocasiões procurou a Universidade Federal do Acre (Ufac) para tentar se regularizar. Como todos sabem, os médicos formados no exterior sempre foram tratados com preconceito e descaso por um grupo da Ufac. Alessandra Bréa tinha conquistado na Justiça o direito de trabalhar com registro provisório do Conselho Regional de Medicina (CRM). Como o registro expirou, a médica teve que deixar o Acre após a proibição de trabalhar também com um Termo de Ajuste de Conduta. Ela já havia conseguido revalidar seu diploma pela Universidade Federal do Ceará, mas aguardava a burocracia enquanto fazia plantões em Caetés. Infelizmente, Alessandra Bréa foi surpreendida pela Polícia Federal, após denúncia do CRM de Pernambuco, acusada de exe…
Tudo ou nada" "Não quero ter ninguém contra a vontade.
Não quero ter ninguém só vez em quando.
Não quero ter ninguém com falsidade.
Não quero ter ninguém me incriminando.
Não quero ter ninguém pela metade.
Não quero ter ninguém se lamentando.
Não quero ter ninguém por vaidade.
Não quero ter ninguém me espionando.
Só quero ter alguém se for completo, onde os dois tenham o máximo prazer.
Algo claro, translúcido, direto.
Sem o medo d'alguma coisa errada.
Sem mentiras ou segredos pra esconder.
...E se não for assim!... Não quero nada..."

NOBRES

Abdias do Nascimento
"A revolução quilombista é fundamentalmente anti-racista, anticapitalista, antilatifundiária, antiimperialista e antineocolonialista"
Adam Clayton Powell
"A liberdade é uma conquista interna, em vez de um ajuste externo".
Aime Césaire
"Para um ser dilacerado por três séculos de aviltamento, o conhecimento de seu continente original restabelece sua dignidade, oferecendo-lhe uma ancestralidade que lhe fora confiscada"
Alice Walker
Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio ou atrapalha seu crescimento.
Alzira Rufino
Sou negra ponto final. Devolvo-me a identidade, rasgo a minha certidão. sou negra! sem reticências, sem vírgulas, sem ausências. Sou negra balacobaco. Sou negra noite cansaço
Amilcar Cabral
" Não vamos utilizar esta tribuna para dizer mal do imperialismo. Diz um ditado africano muito corrente nas nossas terras, onde o fogo é ainda um instrumento importante e um amigo traiçoeiro que quando a tua palhota arde, de nada serv…