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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

MÍDIA - PadrãoFolha: como esconder a Dilma.

Copiado do blog do Luis Nassif

Casa Civil

“A edição de ontem da Folha contém três informações falsas envolvendo a Casa Civil e a ministra Dilma Rousseff.

1) Na reportagem “TCU recomenda medidas para evitar um apagão”, a Folha afirma que “procurou a Casa Civil para saber o que foi feito (em relação ao relatório do TCU), mas não houve retorno até o fechamento desta edição”. A assessoria de imprensa da Casa Civil registra a origem, o horário e o assunto de todas as ligações recebidas de jornalistas. Na quarta-feira (11/11), não há registro de ligação de repórter da Folha para questionar sobre o relatório do TCU. Da Folha, a assessoria recebeu dois telefonemas da repórter Simone Iglesias -um pela manhã e outro às 21h14, ambos para tratar da agenda da ministra.

2) A reportagem “Serra faz críticas ao apagão; Dilma se cala” afirma que “Dilma tinha encontro com o governador de Santa Catarina, Luis Henrique da Silveira (…), mas desmarcou”. A verdade é que o horário do encontro, para tratar de obras portuárias naquele Estado, foi alterado das 11h para as 15h.

3) A Folha afirma ainda que a ministra não foi ao encontro do presidente de Israel, Shimon Peres, “como era esperado”. Esperado somente pela Folha, uma vez que esse compromisso jamais constou da agenda da ministra, como mostra e-mail enviado aos jornalistas às 9h11 de anteontem (11).”

RENATO HOFFMANN , assessoria de imprensa da Casa Civil (Brasília, DF)

Nota da Redação – As perguntas sobre o alerta do TCU foram enviadas por escrito, por e-mail, para a assessoria de imprensa da Casa Civil. Sobre o encontro com o governador de Santa Catarina, leia a seção “Erramos”.
Comentário

Otavinho devia reescrever o Manual de Redação da Folha e dar uma sistematização nesse estilo de jornalismo. Será útil daqui a algumas décadas, quando for feito o inventário sobre o processo de depreciação da velha mídia, perpetrado por ela própria.

ECONOMIA - Eles quase quebraram o país.

Copiado do blog do Luis Nassif.

Henrique Meirelles, Mário Torós e Mário Mesquita, do Banco Central.

Belíssima matéria de Cristiano Romero e Alex Ribeiro, no Valor de hoje, sobre a corrida bancária na crise do ano passado. Some-se a matéria de ontem da Raquel Ballarin sobre o ataque especulativo de que foi alvo o Unibanco, no mesmo período (clique aqui para ler a matéria).

O curioso da matéria é que ela foi feita em cima de Mário Torós, personagem central da crise, com ele relatando como quase salvou o país. Irresponsáveis que quase jogam o país na maior crise da sua história.

Toda essa jogatina desenfreada, patrocinada pelo BC, foi relatada aqui no Blog.

Primeiro, o banco permitiu a apreciação desmedida do real.

Depois, para compensar os grandes exportadores, instituiu o “swap reverso”, uma excrescência que permitia aos exportadores ganhos financeiros sempre que o real se apreciava. Ou seja, perdiam no operacional, mas ganhavam no financeiro. Com isso, o BC colocava todas as forças da economia – mercado financeiro e grandes empresas exportadoras, na mesma linha de apreciação da moeda. Quem bancava o ganho financeiro da especulação? O BC, é claro. Ou, melhor, o Tesouro. Ou melhor, todos os contribuintes.

No dia 3 de junho de 2008 – antes da crise, portanto – na coluna “O escândalo do swap reverso” alertei para essa leviandade:

O Ministério da Saúde está em uma luta insana para obter R$ 20 bilhões adicionais, que garantiriam a universalização do acesso a medicamentos no pais.

Do ano passado a maio deste ano, a mesa de operações do Banco Central, com apenas uma operação – o “swap reverso”, operação no mercado de derivativos — deu um prejuízo de R$ 10 bilhões ao Tesouro, e um lucro correspondente ao sistema bancário.

(…) Suponha-se a situação inversa: uma crise cambial que provocasse uma enorme desvalorização do real. Pelas quantias envolvidas no “swap cambial” haveria o risco concreto de uma crise sistêmica, obrigando o BC a intervir no mercado para salvar as instituições. O BC está agente de criação de futuros riscos sistêmicos.

É bom que os operadores do BC se dêem conta. Estão atuando contra o Estado brasileiro, queimando dinheiro público. Essa operação tem contornos que permitem desde a abertura de uma CPI até de um inquérito por parte do Ministério Público.

O BC criou o epicentro desse jogo especulativo com derivativos. Induziu todos os grandes grupos nacionais não-financeiros a entrar nesse jogo. No rastro, grandes bancos estrangeiros trouxeram operações similares com derivativos internacionais. Criou-se uma jogatina desenfreada. Quando a crise explodiu, as incertezas quanto ao tamanho do rombo ameaçaram arrastar todos de roldão, não apenas bancos pequenos e médios, muito alavancados, mas até o Unibanco – conforma mostrou a matéria da Raquel Ballarin – apesar de sua posição sólida.

Mesmo nesse quadro de intenso tiroteio, esses irresponsáveis ainda seguraram os juros nas alturas. Aliás, a matéria conta que Henrique Meirelles quase foi demitido – o que absolve a Carta Capital da capa que fez dando conta de sua demissão.

O que era para dar margem a uma CPI, a um inquérito da Polícia Federal e do Ministério Público, vira uma auto-louvação na boca dos dois Mários – os mesmos que, em sucessivas entrevistas em off para o mesmo Valor – ameaçaram o governo com demissão coletiva em plena crise. Se não fosse a atuação rápida da Fazenda, a crise teria sido um terremoto, e não uma marola.

Mereciam duas medalhas: um inquérito do MPF por irresponsabilidade na condução da política monetária; e um troféu Burrice por virem, agora, chamar a atenção pública para sua irresponsabilidade.

Desde fins de 2007 vinha alertando aqui que a política cambial era o maior fator de risco do governo Lula. Espero que aprenda para 2010.

POR QUE DILMA SERÁ A NOVA PRESIDENTE.

Copiado do blog "Brasil, mostra a tua cara"

Uai! A oposição já jogou a toalha?

Carlos Pio - Do Estadão

Daqui a exatos 12 meses os brasileiros vão escolher o seu novo presidente. Poucos analistas parecem ter dúvidas de que teremos segundo turno e de que este será disputado pela candidata do presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff, e por um dos candidatos do principal partido da oposição, provavelmente o governador José Serra. Mas quase ninguém arrisca um prognóstico sobre o pleito, cautela essa provocada pelo que parece ser uma disputa apertada entre dois candidatos “sem graça”, tecnocratas de cabeça e coração. Eu vou arriscar: Dilma ganha de Serra (ou Aécio Neves) no segundo turno, com folgada margem. Vou explicar por quê.

Para começo de conversa, é fundamental enfatizar como o processo de seleção dos candidatos presidenciais afeta o desenlace da campanha. No nosso caso, demonstra o quanto a democracia brasileira ainda é dominada por indivíduos que estão no topo das organizações partidárias (e não por regras institucionalizadas). Em si mesmo, esse fato limita um verdadeiro debate de ideias sobre os problemas nacionais e sobre as diferentes alternativas existentes para resolvê-los. Dilma foi escolhida por uma única pessoa – o presidente Lula -, possivelmente após ouvir a opinião de alguns de seus conselheiros mais próximos. Serra será (ou não!) candidato a partir de uma decisão individual sua, à qual os dois partidos que o apoiam (PSDB e DEM) acederão sem maiores questionamentos. Se ele preferir não se candidatar a presidente, como em 2006, Aécio assumirá o posto também por decisão individual – mesmo que sob forte pressão dos aliados. Nesse processo terão sido ouvidas, talvez, quatro ou cinco outras pessoas. Ciro Gomes e Marina Silva se autodeclararam candidatos e suas legendas aceitaram – esta última tendo, por sinal, saído do PT com esse propósito.

Em suma, em todos os “partidos” a escolha do candidato a presidente se dará de forma não institucionalizada e, por conseguinte, sem debate público sobre as diferenças entre os eventuais postulantes no que diz respeito aos diagnósticos de nossos principais problemas e ao conteúdo das soluções que virão a propor. O eleitor também não saberá de antemão a diferença entre os candidatos no que concerne à governabilidade – isto é, como o eleito articulará sua base de apoio congressual e seu Ministério para viabilizar as ações do governo. Assim, a decisão do eleitor será tomada sob forte névoa de incerteza.

Sem debate público interno aos partidos, sem processo institucionalizado de escolha dos seus respectivos candidatos e sem um mínimo de clareza sobre a montagem futura das alianças políticas necessárias para governar, as eleições tendem a assumir um caráter ainda mais plebiscitário do que normalmente ocorre em regimes presidencialistas. Plebiscitário aqui assume o sentido de julgamento dos méritos do atual governo, desconsiderando a oposição. Destituí-lo, pela rejeição à candidata do presidente, representa incorrer em grau ainda mais acentuado de incerteza e insegurança para todo eleitor que tem algo de substancial a perder com a vitória da oposição – uma Bolsa-Família, uma tarifa de importação elevada, um subsídio tributário, uma vaga em universidade federal ou bolsa do governo federal, um emprego em empresa estatal ou de capital misto.

Um plebiscito sobre a renovação do mandato do grupo político do presidente será decidido em função do apoio do eleitor mediano (aquele que separa a distribuição dos votos de todo o eleitorado entre 50% + 1 e 50% – 1) à seguinte questão: “Você concorda que as coisas estão claramente melhores hoje do que no passado recente?” Esse foi o sentimento que marcou claramente as eleições de 1994, 1998 e 2006, todas vencidas pelos governos da ocasião. E parece-me razoável supor que tal sentimento é característico de períodos em que 1) a inflação está sob controle, 2) o governo tem capacidade de manejar os instrumentos de política necessários para dar um mínimo de segurança e estabilidade diante de um contexto externo instável e ameaçador, 3) há perspectiva de crescimento econômico e de queda do desemprego, 4) o gasto público e as políticas sociais focalizadas nos mais pobres estão em expansão. É isso o que vivemos hoje, não?

Pois bem, em tal conjuntura tão favorável ao governo o melhor que a oposição oferece é dar seguimento às políticas correntes e prometer mais eficiência administrativa e menos corrupção! É pouco, muito pouco! A oposição precisa ter propostas novas e capacidade para convencer o eleitorado de que elas são necessárias, viáveis e urgentes. Mas como fazer isso sem debate intrapartidário aberto e institucionalizado, assentado na diferença de diagnósticos e soluções? E como “testar”, antes do pleito, o potencial eleitoral das ideias e os riscos embutidos nas novidades sem realizar prévias?

Afinal, alguém aí sabe o que Serra e Aécio pensam sobre os problemas nacionais? Alguém acha que algum deles ousaria propor mudança de rumos em relação ao que Lula vem fazendo? O que eles farão em relação a Bolsa-Família, câmbio com viés de apreciação, Mercosul paralisado, protecionismo comercial excessivo, política industrial e tecnológica concentradora de renda, educação de mal a pior, malha de transportes precária, regulação arcaica do setor de energia, infraestrutura em frangalhos e política externa terceiro-mundista? Algum deles propõe privatizar o que ainda está nas mãos do governo federal? Algum deles propõe que o Mercosul feche um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos ou a China, como fizeram México e Chile?

Sem que as diferenças sejam explicitadas o eleitor mediano não aceitará correr o risco de votar na oposição.

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