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terça-feira, 10 de novembro de 2009

"OPOSIÇÃO BRASILEIRA É PIOR DO QUE A DA VENEZUELA, REAGE LÍDER IDELI SALVATTI".

Irritada, a líder do Governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC) disse ao Vermelho que a oposição no Brasil é pior do que os oposicionistas do presidente da Venezuela, Hugo Cháves. A critica rechaça a perspectiva da oposição demo-tucana de que as declarações de Cháves sobre uma possível guerra contra a Colômbia possam influenciar na aprovação da adesão da Venezuela ao Mercosul, em votação prevista para esta quarta (11) no plenário do Senado.
“As lideranças da oposição não conseguem separar a briga que tem com Cháves e o ingresso da Venezuela no Mercosul. O maior beneficiado será o Brasil em termos de balança (comercial). Falta proposta, assunto e alternativas para eles se colocarem na disputa eleitoral do ano que vem. Conseguem ficar atrás da oposição da Venezuela, algo inadmissível”, disse a senadora, referindo-se ao apoio ao projeto dado pelo prefeito de Caracas, o oposicionista Antonio Ledezma, que esteve recentemente no Senado.

Em pronunciamento, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que Chávez incitou a guerra entre irmãos da América Latina. “Exatamente na semana em que devemos deliberar sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul (...) Eu gostaria de antecipar minha posição afirmando que o Congresso Nacional deveria sobrestar essa matéria até que a democracia retornasse na sua plenitude à Venezuela”, disse.

A líder prevê que haverá muito debate, mas o projeto será aprovado pelo Senado. Na sua opinião, os senadores saberão separar a questão ideológica no momento de votar o projeto. “Se as críticas a postura de Cháves fossem relevantes, os Estados Unidos não seriam um dos seus maiores parceiros econômicos”, disse.

Democracia bolivariana

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) disse que os parlamentares demonstram uma inquietação porque observam um país fortemente vinculado à personalidade do seu presidente. Mas, esquecem que na Venezuela, até 1989, governadores e prefeitos eram escolhidos diretamente pelo presidente da República.

“Apenas com a assunção de Hugo Chávez passou a vigorar um regime político constitucional democrático que propiciou nada menos que 12 eleições até hoje. Das disputas eleitorais, o atual governo foi derrotado uma única vez, talvez a mais importante: o plebiscito da Constituição da Venezuela. Nesta consulta popular, ocorrida em 2 de dezembro de 2007, foram convocados mais de 16 milhões de eleitores”, lembrou.

Ele disse ainda que a proposta previa modificações em 69 artigos da Carta Magna. Os cidadãos venezuelanos, de modo livre e soberano, rejeitaram todas as alterações propostas, tudo isso acompanhado pela comunidade internacional. “À vista do desfecho, o presidente Hugo Chávez reconheceu a vitória de seus adversários e os parabenizou. Percebe-se, no episódio, a grande mudança ocorrida naquele país no campo político em curtíssimo espaço de tempo”, disse.

O senador ressalta também que Constituição Venezuelana em vigor prevê em seu artigo 72º a realização de um referendo revocatório, destinado a possibilitar ao cidadão a oportunidade de anular o mandato de titular de cargo público eletivo. “Quando acionado, este mecanismo paradigmático assegurou legalmente a permanência do Presidente Chávez”.

Todos esses fatos, na argumentação de Inácio, demonstram claramente que o sistema político venezuelano preenche o requisito da democracia. Portanto, não cabe utilizar a cláusula democrática como argumento para negar o ingresso da Venezuela no bloco sul-americano.

Por fim, ele lembrou que em nações tidas como democráticas e desenvolvidas, o tempo médio de permanência de um governante é razoavelmente longo, como no caso da França (sete anos de mandato do presidente, com direito à reeleição) ou da Inglaterra (sem restrições ao número de anos do primeiro Ministro, vide Margaret Thatcher e Tony Blair).

Da Sucursal de Brasília,
Iram Alfaia/Site O Vermelho.

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