Pular para o conteúdo principal

Briga nos bailes aumenta preconceito


Marcela Munhoz
Diário do Grande ABC

0 comentário(s)

A discriminação é problema antigo, assim como ocorreu (e ainda ocorre) com samba, rap e hip hop, segundo Silvio Essinger, jornalista e autor do livro Batidão - Uma História do Funk. Vem da época em que os bailes viraram desculpa para brigas, o que ainda acontece.
Tanto que há discussões na Assembleia Legislativa de lá sobre os batidões nas favelas. "O governo e as prefeituras tentaram esconder o funk, mas só conseguiram marginalizá-lo. Proibir, vetar e prender funkeiros é absurdo", afirma MC Leonardo, que sonha em levar o movimbento a outro patamar. "Queremos respeito".
Segundo o MC, há funk de todo tipo e não dá para generalizar. "Há os que fazem apologia ao crime (estilo chamado Proibidão), mas não são todos. Trata-se de uma manifestão cultural brasileira legítima", explica Silvio. Funkeiros do Proibidão dizem que só relatam a realidade, o que não significa apologia. Já o teor sensual é uma das características essenciais do ritmo. "As ‘Mulheres Fruta' são subproduto do funk. É televisivo", diz o jornalista. Há quem acredite, inclusive, que a erotização do funk surgiu para amenizar a violência dos bailes.
Choque de culturas - A fama não impede de o ritmo ser motivo de reclamações por causa das letras e bailes de rua. Segundo a psicanalista Elizandra Souza, poucos conhecem o funk e sabem o que acontece nas favelas nem entendem o que os funkeiros querem dizer de verdade.
"Encaram como absurdo, mas é só uma forma de expressão, como tantas outras." O positivo, na opinião da psicanalista, é que reúne a comunidade. A forma como falam de sexo e violência faz parte da rotina deles, por isso, estão nas letras. "Se quem ouve não se sente recriminado, tudo certo."
É preciso respeitar o espaço do outro e dar oportunidade para entender o que está por trás do funk. "Não dá para apenas não aceitar. Tem de conhecer antes para tirar uma conclusão", afirma. MC Leonardo da Apafunk é enfático: "Quem tem preconceito tem que se tratar. Queremos acabar com a perseguição. Não dá para culpar o funk por tudo."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Médica acreana presa em Pernambuco A médica acreana Alessandra Bréa Moreno Dantas foi presa pela Polícia Federal na sexta-feira (1), em Caetés (PE). Após concluir o curso de medicina em Pinar del Rio, com bolsa do governo de Cuba, voltou ao Acre, onde em diversas ocasiões procurou a Universidade Federal do Acre (Ufac) para tentar se regularizar. Como todos sabem, os médicos formados no exterior sempre foram tratados com preconceito e descaso por um grupo da Ufac. Alessandra Bréa tinha conquistado na Justiça o direito de trabalhar com registro provisório do Conselho Regional de Medicina (CRM). Como o registro expirou, a médica teve que deixar o Acre após a proibição de trabalhar também com um Termo de Ajuste de Conduta. Ela já havia conseguido revalidar seu diploma pela Universidade Federal do Ceará, mas aguardava a burocracia enquanto fazia plantões em Caetés. Infelizmente, Alessandra Bréa foi surpreendida pela Polícia Federal, após denúncia do CRM de Pernambuco, acusada de exe…

Rio das Ostras promove I Fórum sobre Culturas Indígenas

Em comemoração ao Dia do Índio, 19 de abril, Rio das Ostras terá um evento que promete deixar os moradores mais próximos da realidade desses nossos precursores. Nos dias 18 e 19 de abril (sábado e domingo), o Núcleo de Educação Ambiental (Neam) do município promove a primeira edição do Fórum sobre Culturas Indígenas. A programação tem abertura às 14h de segunda-feira, com uma expedição ambiental ao Sítio Arqueológico Sambaqui da Tarioba. No restante do dia também haverá palestras e exibição de filmes sobre a vida de alguns povos indígenas que já habitaram o município.
O evento ajudará a manter viva a memória dos antigos habitantes da região, os índios Goytacazes. De acordo com o antropólogo da Fundação Rio das Ostras de Cultura, Jorge Pinheiro, há cerca de 500 todo o Norte Fluminense era habitado por tribos indígenas, que desapareceram no século XVII, por causa da epidemia de varíola. O pesquisador ainda indicou o passeio pelo Sítio Arqueológico Sambaqui da Tarioba. O lo…
Tudo ou nada" "Não quero ter ninguém contra a vontade.
Não quero ter ninguém só vez em quando.
Não quero ter ninguém com falsidade.
Não quero ter ninguém me incriminando.
Não quero ter ninguém pela metade.
Não quero ter ninguém se lamentando.
Não quero ter ninguém por vaidade.
Não quero ter ninguém me espionando.
Só quero ter alguém se for completo, onde os dois tenham o máximo prazer.
Algo claro, translúcido, direto.
Sem o medo d'alguma coisa errada.
Sem mentiras ou segredos pra esconder.
...E se não for assim!... Não quero nada..."